6 de maio de 2015


Escolhas criativas para fugir do clichê

 Em seus cursos de roteiro, Robert McKee ensina que a boa escrita nunca é de um para um, ou seja, você deve criar muito mais material do que vai usar para preencher a estória. A criatividade deve levá-lo a escrever dez, quinze, vinte eventos para uma escolha. Desta forma, se você está escrevendo uma comédia romântica, fique atento para não usar o que já viu no cinema. Aquilo que é bom e original a mente registra e, se for copiado, o público logo identifica como sendo de outro filme.

Se o seu personagem quer conversar com a garota dos seus sonhos, mas essa não lhe dá a menor atenção, tente criar um evento único e inesperado. Faça o esboço de várias cenas diferentes. Geralmente a primeira ideia é aquela que você já viu, mas pode começar por essa.

1-      Barzinho de jovens solteiros – é clichê, mas não custa anotar.

2-      Lagoa Rodrigo de Freitas - seu personagem luta artes maciais e a ela adora andar de bicicleta? Então ele poderá salvá-la de dois marmanjos que tentam roubar a bike da garota. Além de mostrar sua performance, ele coloca os bandidos pra correr e sai como herói. Difícil não se apaixonar.

3-      No restaurante - na festa de fim de ano do escritório, depois de umas e outras, bêbada, ela entra no banheiro masculino e é agarrada por um engraçadinho. Seu personagem entra, logo em seguida, e a salva das garras do lobo mau. Toda mulher adora homens protetores.

Coloque a imaginação para funcionar e sua lista crescerá rapidinho. Você não precisa escrever cenas completas, só um esboço. Leia e separe as mais verdadeiras para seus personagens e para o seu mundo. Depois, das mais criativas, escolha aquela que você nunca viu no cinema. No entanto, se você acha que a cena do barzinho é a melhor, procure escrevê-la de uma forma que ninguém ainda escreveu. De repente, você mistura as ideias, por exemplo, colocando a situação número três no barzinho de solteiros. O importante é conhecer bem os personagens e surpreender o seu público.

6 de novembro de 2014


Ainda sobre “Tim Maia- o Filme”. Os roteiristas Mauro Lima (diretor) e Antônia Pellegrino mostraram competência ao escrever o roteiro do filme, mas a passagem do menino Tim (Babuzinho) para o Tim adulto (Robson Nunes) foi grotesca. Ou faltou técnica no match cut, ou na edição.

Match cut é a transição que usa um detalhe para avançar no tempo, porém esse recurso deve ser usado com sutileza para não ficar forçado na cena. No filme, o menino Tim pega a marmita para entregar em uma casa e na volta, antes de pegar as marmitas restantes, o ator Babuzinho some como um fantasma e aparece Robson Nunes. Os roteiristas poderiam ter colocado Babuzinho pegando e entregando a marmita na casa, cortava para o detalhe da mão de Tim pegando as marmitas restantes e, na abertura do plano, aparecia o Tim adulto (Robson Nunes).

Match cut que usa a mesma personagem para avançar no tempo deve ser feito com muita sutileza. No filme Titanic, a transição feita por James Cameron usa como detalhe os olhos azuis de Rose ainda jovem (Kate Wislet) e em fusão aparece os olhos azuis da mesma personagem idosa (Gloria Stuart).

Comentário filme O Juiz

The Judce – O Juiz
 Os apaixonados por cinema e pela arte de escrever roteiros não podem perder “O Juiz”, dirigido por David Dobkin. O filme é impecável! As cenas são perfeitas e tão bem posicionadas que é impossível pensar em mudar de lugar ou suprimir apenas uma.
Logo nas primeiras dez páginas, os roteiristas  Nick Schenk e Bill Dubuque apresentam o contexto em que o protagonista Hank Palmer (Robert Downey Jr.) vive. Advogado bem sucedido, Palmer é considerado egoísta e altamente individualista por algumas pessoas. Ele tem humor e uma dose de insensibilidade (é capaz de urinar na roupa do advogado da outra parte), sabe o que quer e não pensa duas vezes antes de jogar na cara da mulher que foi traído por ela. O trabalho excepcional Downey Jr poderá levá-lo ao Oscar de melhor ator em 2015.
Schenk e Dubuque mostram visualmente a incompatibilidade entre o pai e seu filho do meio Hank Palmer. Ao chegar no local do velório, Joseph Palmer (Robert Duval) cumprimenta todos os presentes, menos Hank. É notória a preferência do pai pelos outros dois filhos.
Os roteiristas criam uma forma interessante de mostrar em flashback a relação entre os membros da família Palmer: por meio dos filmes produzidos pelo irmão mais novo Dale (Jeremy Strong).  
Schenk e Dubuque seguem à risca as regras tradicionais que a Academia de Cinema de Hollywood valoriza. Ao retornar à cidade natal para defender juridicamente o pai, um juiz suspeito de assassinato, Hank entra naquilo que Christopher Vogler chama de Mundo Especial para iniciar a jornada do Herói. A volta ao passado, o reencontro com velhos amigos, os irmãos, os antigos costumes de uma cidade do interior, com as situações familiares que o incomodavam e até mesmo o reencontro com uma velha paixão mal resolvida, tudo isso exerce um poder transformador no bem sucedido e insensível advogado de uma grande cidade.
No final da aventura, Hank Palmer se humaniza e é capaz de verter algumas lágrimas, de tentar reviver bons momentos ao lado do velho pai como o passeio de barco na cena final.
 

24 de outubro de 2014

Lista de Problemas 1


Syd Field apresenta uma lista de problemas para o roteirista identificar onde está o erro e salvar o seu roteiro.

A ação não tem pausa – o uso abusivo de cenas de ação cansa e acaba dispersando a atenção do público. Essas cenas devem ser intercaladas por outra que Field denominou de consequência cuja função e relaxar a tensão, depois de uma cena dramática, de suspense ou ação. Exemplo: aquela em que a agente Clarice Starling (Julianne Moore) aparece dormindo depois de ser salva por Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), após a dramática cena dos porcos famintos.

 

1 de outubro de 2014

Estrutura e ambiente

É importante observar a relação que existe entre o ambiente e a estrutura da estória. O primeiro define e confina suas possibilidades. Desta forma, o roteirista não pode colocar no roteiro aquilo que lhe vem à mente, ainda que esteja trabalhando com ficção. Ao criar eventos para as cenas ele terá que escolher os possíveis ou prováveis.

Como assim?

O professor de roteiro Robert McKee explica: se a sua estória se passa dentro de condomínios fechados de Los Angeles, certamente, nesse ambiente, não haverá cenas de protestos contra a injustiça social, causando tumulto nas ruas arborizadas. No entanto, o roteiro poderá conter cenas de jantares para arrecadar fundos, com os anfitriões cobrando mil dólares o prato. Se o drama se passa nos guetos do leste de Los Angeles, os moradores não poderão participar de jantares de gala para pagar mil dólares o prato, mas poderão sair às ruas em passeata para exigir mudanças.

Ao criar o seu drama e definir o ambiente em que ele se passa, você estará estabelecendo as leis internas de probabilidade para sua estória.


“A escolha de eventos do escritor, portanto, é limitada às probabilidades e possibilidades contidas no mundo que criou.” – Robert McKee

23 de setembro de 2014

O ambiente da estória 2


Para o professor de roteiro Robert McKee, o roteirista pode escolher um tema para escrever, porém ele deve conhecer profundamente o ambiente da estória para não acabar escrevendo tramas e cenas já conhecidas pelo público (clichê).

McKee explica que o ambiente da estória é quadridimensional.- período, duração,  localização e nível de conflito.

 “Localização é o lugar de uma estória no espaço”

Portanto, localização é a dimensão física da estória, onde ela acontece. Em qual cidade, rua, em qual prédio dessa rua? Se for uma viagem espacial, para qual planeta o personagem irá?

 “Nível de conflito é a posição da estória na hierarquia das lutas humanas”

Nível de conflito é a dimensão humana. O ambiente da estória não se resume a domínios físicos e temporais, mas também sociais. Sua trama focaliza os conflitos internos ou os subconscientes dos personagens? Subindo um nível, quais são seus conflitos pessoais? Subindo um pouco mais, como é a relação desses personagens com as instituições da sociedade?

Em “A mente brilhante” (2001), dirigido por Ron Howard e escrito por Akiva Goldsman e Sylvia Nasar, John Nash (Russel Crowe) é um matemático genial, porém, considerado estranho e egocêntrico. O jeito excêntrico do professor só é compreendido depois que a esquizofrenia é diagnosticada. O filme mostra os conflitos de Nash em vários níveis: dos internos, no tormento causado pelos fantasmas criados pela esquizofrenia, aos pessoais, nas crises do casamento, até os externos, na dificuldade de realizar seus compromissos acadêmicos.

Não importa se no subconsciente ou nas estrelas, sua estória pode ser ambientada em qualquer nível, mas tem que respeitar as possibilidades e a coerência.


Fonte: Story – Robert McKee

17 de setembro de 2014

O ambiente da estória 1

Segundo o professor de roteiro Robert McKee, o ambiente da história é quadridimensional.- período, duração,  localização e nível de conflito.

Na primeira dimensão de tempo, o Período, o roteirista terá que saber se a estória se passa na atualidade, no futuro ou no mundo da fantasia no qual a localização de tempo é irrelevante ou desconhecida.

“Período é o lugar de uma estória no tempo” – Robert McKee.

Na segunda dimensão de tempo, a Duração, o roteirista deverá saber por quanto tempo a estória se estende na vida dos personagens. No filme Os Maias (2014), dirigido por João Botelho, baseado na obra de Eça de Queiroz, a estória avança por três gerações, tendo o velho Afonso Maia à frente da trama como um personagem forte, homem de caráter, digno e educado.

Na comédia “Sideways – Entre umas e outras” (2004), que deu aos roteiristas Alexander Payne (também diretor) e Jim Taylor o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, a estória se passa em uma viagem de despedida de solteiro que dura apenas uma semana.

“Duração é a extensão de uma estória ao longo do tempo” – Robert McKee


7 de setembro de 2014

Originalidade x Clichê

Vivemos um período difícil para o escritor, pois as ideias originais são raras e o público, muito exigente. É comum vermos, nas novelas ou no cinema, estórias que já conhecemos. Muitos roteiristas “buscam inspiração” em cenas de filmes premiados. O clichê é um velho conhecido do público que, por sua vez, se sente insatisfeito por não assistir a uma estória original. Mas será que é fácil criar uma trama que ninguém nunca viu?

Para o mestre de roteiro Robert McKee, o problema da falta de originalidade (clichê) se resume em um único problema: “o roteirista não conhece o mundo de sua história”. Como lhe falta criatividade, algo que tenha em mente, ele vai buscar o assunto na televisão, nos livros ou no teatro. Ainda que o escritor busque ideias em matérias de jornais, por exemplo, ele tem que conhecer e ter a visão do mundo da sua estória. Sem isso, ele estará fadado a oferecer um prato de tédio para seu público.

 Segundo McKee, o ambiente da estória é quadridimensional, ou seja, tem quatro dimensões – período, duração, localização e nível de conflito.


22 de maio de 2013


Depois de conhecer as regras para colocar no papel a sua história de forma bem visual, visite a página Roteiro para Cinema no Facebook. Lá você verá, nas cenas de filmes famosos, como usar o conteúdo aprendido aqui no blog. Você também poderá postar suas dúvidas. Copie o link e entre na página.

                          https://www.facebook.com/pages/Roteiro-para-Cinema/171785889652007

22 de outubro de 2009

As dificuldades de ser roteirista


Em 2001, quando realizei este estudo, os roteiristas americanos ameaçavam entrar em greve. Eles reclamavam da falta de respeito com seus textos, por parte dos produtores que os reescrevem, indiscriminadamente; e ainda, por parte dos diretores que levam os louros sozinhos ao terem seus nomes no crédito: “um filme de...”.


Segundo o Writers Guild of America, entidade representante da classe nos Estados Unidos, os roteiristas queixavam-se de que o tratamento dado a eles, na indústria cinematográfica, está piorando a cada dia. Além disso, eles reclamavam de não ganhar nenhuma percentagem dos lucros do filme, ao contrário do que acontece com as grandes estrelas, diretores e produtores. Imaginem, a reivindicação era dos grandes roteiristas de Hollywood!

Como em outras áreas de criação, cinema é um trabalho de equipe. Dificilmente um roteiro ruim dará um bom filme, o mesmo podemos afirmar com relação a um mau diretor. Cada um tem a sua parcela de responsabilidade e de glória.

Trabalho de roteirista é duro, isto sem falar na dificuldade de se chegar lá. É como passar no buraco da agulha! Cameron Crowe, vencedor do Oscar 2001 na categoria de melhor roteiro original com o filme Quase Famosos (Almost Famous), em entrevista à imprensa, disse que deve a sua estatueta àqueles que lhe deram uma oportunidade. Ele está certo. Na vida tudo é uma questão de OPORTUNIDADE.

Vez por outra, quando ando pelas ruas e vejo um operário quebrando pedras portuguesas para consertar uma calçada, penso nos inúmeros roteiristas talentosos que não conseguem uma única chance. Vida de roteirista iniciante é isso: um eterno quebrar pedras! Mas não desanime, um dia a calçada ficará pronta.

“O coração determinado faz com que se realizem desejos” Do roteiro de “O tigre e o dragão”

16 de setembro de 2009

Dicas


  1. Os roteiristas chamam de talking head, as cenas que abusam do diálogo. Lembre-se: o diálogo sozinho não sustenta um filme. Cenas fracas são aquelas em que as falas carregam o peso dramático.

  2. Não inicie a descrição de cena com as informações que já estão no cabeçalho.

  3. Procure descobrir, no início da história, algo simples que o herói não consegue mais fazer. No final de Central do Brasil, Dora voltou a usar batom.

  4. Evite dar ao protagonista dois grandes objetivos, para não quebrar a estrutura e diminuir o interesse do público. Todo herói deve ter um problema interno e outro externo. Isto o humaniza.

  5. A água é excelente recurso e pode ser traduzida como uma metáfora visual. Na cena, ela pode simbolizar a purificação do personagem. É como lavar a alma!

  6. Cenas em preto e branco podem indicar uma volta ao passado ou algo que marcou profundamente o personagem.

  7. Sempre que pensar em roteiro pense em como é a vida, com seus desafios e incidentes. Lembre-se da frase do indiano Krishnamurti: “O homem só cresce no conflito”. O personagem também.

  8. Procure evitar os “chavões”, mas se não conseguir...
    Hitchcock dizia: “É melhor partir do clichê do que terminar com ele”

  9. Ao criar a sua cena pense em imagens bonitas e inesquecíveis. O diálogo vem em seguida.

  10. O MUNDO ESPECIAL de um Herói deve ser totalmente diferente do seu MUNDO COMUM.No filme Central do Brasil, Dora sai de uma movimentada estação ferroviária no Rio de Janeiro e inicia sua jornada num ônibus pelo interior do Brasil.

14 de setembro de 2009

O ato de reescrever


Dê ao seu roteiro o primeiro tratamento, o segundo, o terceiro, o quarto...
Reescreva o texto quantas vezes forem necessárias!
Dê uma olhada na estrutura.Veja se está confusa ou incompleta. Precisa mudar alguma cena de lugar? Usou com criatividade e sabedoria as ferramentas estudadas?

Reescrever é um processo. Desligue-se de seu material. Deixe-o um pouco na gaveta. Ao retomá-lo, verá que é muito mais fácil detectar erros.

Adaptação



Best-sellers nem sempre dão bons filmes. Adaptar um livro não é simplesmente transformar literatura em filme ou novela. O primeiro passo para sua adaptação ter sucesso é:esqueça a fidelidade.

Tome por base o romance a ser adaptado, ele é a sua fonte. É quase certo que você terá que dar uma nova roupagem ao texto original, criando novos incidentes e personagens e suprimindo outros.

Pesquise na obra aquilo que funciona e que por isso, você não deve mudar. Os personagens principais têm de ser preservados!
Importante: antes de adaptar uma peça, lembre-se de que no teatro a palavra carrega a cena. Você não pode simplesmente transpor para o cinema um texto teatral, sem transformá-lo para a linguagem cinematográfica.
Siga os rumos da história, mas os temperos para torná-la mais apetitosa, você escolhe! No final verá que o seu trabalho é um texto original. Lembre-se: roteiro é uma história contada principalmente com imagens.

Roteiro literário/roteiro técnico



Roteiro literário é aquele que o roteirista escreve sem maiores indicações para as filmagens como movimentos de câmera, iluminação, captação de som, etc.

O roteiro técnico será elaborado pela equipe de produção com a supervisão do diretor, depois de fazer o que chamamos de découpage, um estudo minucioso do roteiro literário. Ele terá todas as informações técnicas necessárias para transformar o roteiro literário num filme.

9 de setembro de 2009

O passo a passo

1- Escreva nas fichas as seqüências de seu filme. Você pode também optar por escrever diretamente as cenas, dividindo-as por Ato.

2- Se optar por iniciar pela seqüência, pegue cada uma, e em outras fichas escreva as cenas que você vai precisar para contar aquela parte da história. Pense em cada cena com cuidado, uma por uma, sem pressa. Escreva nas fichas uma rápida descrição da ação e os diálogos. Não esqueça que uma estrutura é dividida em Atos, portanto, separe as fichas por cor, ou coloque alguma marca colorida para indicar a que Ato elas pertencem.

3- Encontre nas cenas que você escreveu, os Pontos de Virada I e II. Eles realmente mudam a direção da sua história?

4- Arme a sua estrutura e visualize o seu filme! Coloque as fichas numa mesa grande. Agora com calma, veja o que pode ser melhorado ou modificado.

Alguma cena pode mudar de lugar?
Está usando as ferramentas que aprendeu para passar de uma cena pra outra?
Quais são os arquétipos de sua história? Eles estão funcionando bem na ação dramática?
Você revelou bem os personagens e a necessidade dramática do protagonista?
A linguagem de seu roteiro é cinematográfica, ou seja, usa bem as imagens?
Criou conflitos para dar movimento às cenas?
Como está o seu personagem principal no contexto da premissa dramática? Que cena revela o seu ponto de vista?
Quem é o antagonista? Como ele vai criar dificuldades para o seu Herói?
Não tenha pressa de acabar.

5- Pegue uma folha em branco e anote todas as críticas que tem a fazer, como se o roteiro fosse de outra pessoa.

6- Faça as mudanças que achar necessário.

7- Pegue as fichas corrigidas e comece a escrever o roteiro. Durante este processo, se alguma idéia nova aparecer, não a descarte! Veja se ela funciona e use-a! Faça dez páginas de cada vez. Depois de pronto, se tiver alguém da sua confiança para ler, ótimo! Peça um comentário. Mas cuidado, se receber críticas, veja se elas procedem.

8- Antes de reescrever, certifique-se do que precisa mudar. Abra mão daquilo que não funciona. Se não conseguir, pare. De repente, dando uma volta, você encontre uma idéia que realmente funcione. Em roteiro, não se pode correr. Tem que se dar tempo ao tempo.

9- Mais uma vez, releia ou peça a alguém para ler e criticar. Reescreva.

10- Finalmente chegou o grande dia. Entregue o seu roteiro e saia para brindar!

Planejando a estrutura



Depois da story line, da sinopse e das biografias de seus personagens é hora de pensar na estrutura.

Alguns roteiristas fazem o seu planejamento em fichas 12 x 8 cm, mas este é só um exemplo do passo a passo da construção de um roteiro. Você pode segui-lo ou encontrar seu próprio caminho.

Hoje, com o computador, você pode separar as sequências por cores, o que facilita o trabalho.

Lembre-se do que diz o roteirista francês, Jean-Claude Carrière: “Os públicos não são todos iguais e existem diferentes tradições na arte de contar histórias”. (Carrière, Jean-Claude e Bonitzer, Pascal, Prática do Roteiro Cinematográfico)

31 de agosto de 2009

Ponto de Virada

O que é um ponto de virada?

Plot point ou ponto de virada nos dá uma idéia de complô. Para os ingleses, plot quer dizer intriga. Ponto de Virada são incidentes que mudam o curso da ação dramática, criando novos obstáculos ou apontando soluções para o herói.

Em seu paradigma, Syd Field estabeleceu onde, preferencialmente, eles devem acontecer: o Ponto de Virada I, entre as páginas 25 e 27 do Ato I. Ele é uma função do personagem principal. O Ponto de Virada II, por volta da página 85 ou 90 do roteiro.

Exemplo: No filme Billy Elliot, o Ponto de Virada I ocorre quando o menino decide trocar as luvas de boxe pelas sapatilhas de balé. O Ponto de Virada II acontece quando o pai desiste de obrigar Billy a treinar boxe, ao vê-lo dar um show de dança no ginásio, e resolve ajudá-lo em seu objetivo.

Em Central do Brasil, o Ponto de Virada I acontece no momento em que Dora entra no ônibus para levar Josué ao interior do Nordeste. Já o Ponto de Virada II ocorre quando Josué aponta a solução e Dora consegue dinheiro, escrevendo cartas para os romeiros da cidade de Bom Jesus do Norte.

Os roteiristas experientes aconselham os colegas iniciantes a seguirem os marcos propostos por Syd Field em seu paradigma, pois esta é uma forma de se evitar escrever demais e sem direcionamento.


Importante: Enquanto nas novelas de televisão o roteirista lança mão de novos personagens ou de subtramas para mover a história, no roteiro cinematográfico este tipo de recurso deve ser usado com cuidado. A estrutura do roteiro é linear (princípio, meio e fim), portanto,usar histórias auxiliares (dando cortes transversais na estrutura) para ajudar a desenvolver a ação é perigoso! Ainda que as subtramas se encontrem com o enredo principal no Ponto de Virada I ou no Ponto de Virada II, corre-se o risco de dificultar o entendimento da trama, frustrando o público.

26 de agosto de 2009

Apresentação, confrontação, resolução

Como a cena, o roteiro também tem um início, meio e fim. Sua estrutura é dividida em Ato I, II e III. Cada um deles é uma unidade de ação dramática.

O Ato I é a primeira unidade de ação dramática. Em aproximadamente trinta páginas, o roteirista terá que mostrar quem é o seu personagem principal, qual a premissa dramática e qual a situação dramática (as circunstâncias em torno da ação).

No Ato II, geralmente da página trinta à noventa, o protagonista enfrentará vários obstáculos para alcançar a sua necessidade dramática. É a confrontação. Nesta unidade, o roteirista corre o risco de se perder no roteiro, portanto, ao iniciar o Ato II pare e pense onde você está e para onde quer ir.

O Ato III é uma unidade de ação dramática que vai do fim do Ato II, aproximadamente na página noventa, até o final do roteiro. É importante ressaltar, que resolução não significa fim e sim, solução, senão, alguns filmes não teriam continuidade.

Como passar do Ato I para o Ato II, e do Ato II para o Ato III?
Segundo Syd Field, a melhor forma é criando Pontos de Viradas (plot point) no final dos Atos I e II.

Cena de preparação e de consequência

Cena de preparação

É aquela que prepara o espectador para uma cena dramática. Sua função é provocar expectativa.

Exemplo: as cenas que antecedem uma batalha decisiva num filme de guerra, uma prova final nas Olimpíadas, ou ainda, as que mostram um gladiador antes de entrar na arena.

Uma forma de manter o público na expectativa é anunciar sem revelar, alguma coisa que poderá ou não acontecer no futuro.
Exemplo: No filme O Iluminado(The Shining), quando Jack Torrance (Jack Nicholson) chega para administrar, na baixa temporada, um hotel nas montanhas geladas, e logo é avisado de que ali aconteceu um crime hediondo. O filho de Jack é sensitivo, percebe que no local aconteceu algo terrível e é advertido por um funcionário, também “iluminado”, para não abrir a porta do quarto 237. É angustiante para o espectador ver o pequeno Danny (Danny Lloyd) andar de velotrol pelos corredores desertos do hotel. Vez por outra, ele pára diante do quarto 237, tenta abrir a porta, mas não consegue porque ela está trancada. O público fica ansioso: e se ele conseguir abri-la, o que acontecerá? Simplesmente eletrizante!

Cena de conseqüência

É aquela cuja função é relaxar a tensão, depois de uma cena dramática.

Exemplo: A cena em que a agente Clarice aparece dormindo depois de ter sido salva por Hannibal no dramático ataque dos porcos famintos.

21 de agosto de 2009

Sequência e cena

Seqüência

É uma série de cenas interligadas por uma mesma idéia. Um filme pode ter quantas o roteirista quiser. Assim como o roteiro, ela tem que ter início, meio e fim. Alguns escritores costumam batizá-las. Exemplo: seqüência Autódromo.

Cena

É a menor unidade da ação dramática e seu objetivo: mover a história para frente. Saber organizar bem em seqüências, essas unidades é fundamental para uma boa estrutura. Ao pensar uma cena, descubra o que você pretende com ela (objetivo), a sua localização (onde) e a temporalidade (quando). Pergunte-se: por que ela é importante para a minha história? Em que ela move a ação?


Toda cena tem um protagonista, que não é necessariamente o herói de sua história (pode ser o vilão ou um personagem secundário). Crie a cena pensando neste protagonista, naquilo que ele tem que fazer para dar andamento na trama.

Como na seqüência, toda cena tem um início, meio e fim. Há quem diga que o bom roteirista começa uma cena pelo seu fim, isto é, mostra o essencial, sem perda de tempo. Você não precisa revelar todos os detalhes da vida do personagem. Escovar os dentes, tomar banho, vestir a roupa, tomar o café da manhã, por exemplo, são atividades que fazem parte do TEMPO REAL. Você vai mostrar isso em poucos segundos ou minutos de acordo com o TEMPO DRAMÁTICO, ou, tempo estético. Pode-se dizer que cada cena tem o seu e que toda a estrutura da história tem um TEMPO DRAMÁTICO TOTAL.

Crie conflitos, visualize ao máximo, cenas fracas são aquelas em que os diálogos carregam o peso dramático!